DIY é mais do que estimular o cérebro, é também uma forma de ser contra o sistema corporativo/industrial e também monetarista.
Podemos trocar experiências, conhecimentos e até mesmo o produto final.

Na construção a coisa é sem mimimi e momomo, o papo é rústico e reto! :oD

Sai da cidade grande em nome de um dia a dia mais salubre e para construir minha casa com uma boa oficina, e nela poder fazer minhas estrapizongas mais livremente, o resto é história...
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quinta-feira, 24 de julho de 2014

Construindo a minha casa - Subindo a bagaça / Parte 2 de 2

Já disse que acho essa fase a mais chata, apesar de ser a mais rápida porque parece que o rendimento do trabalho é maior.
Depois de checar o enchimento de colunas e vigas, chega-se a preparação da laje.
Observe antes o que não deveria existir em uma coluna ou viga: as "bixeiras".


Essas falhas são ocasionadas pela pouca vibração durante o enchimento ou pouca fluidez no concreto.
Como eu disse anteriormente, isso não deveria acontecer, assim como o enchimento de uma coluna em duas partes, mas na prática...



Enfim, chaga-se a laje.
Cobrir parece um rito de passagem, mesmo no meu caso onde essa laje foi a primeira.


A laje pré-fabricada deve ser medida e orçada já na metade da altura das paredes pois geralmente as lojas não tem pronta entrega mesmo quando dizem que tem (Brasil-il-il-il).
Normalmente se usam lajes H8 ou H12 com elementos cerâmicos ou de polímero (isopor).
Se tiver escolha e for praticamente o mesmo preço opte pela de isopor: mais leve, melhor isolação térmica/acústica, menos quebras e menos entulho.

Laje com blocos cerâmicos entre as treliças.

Laje com blocos de isopor entre as treliças.
Lembrando que tanto o cerâmico quanto o isopor NÃO tem função estrutural!


Quanto à espessura H8 (8 cm) ou H12 (12 cm), depende do maior vão livre e da carga. O próprio orçamentista vai sugerir.
Não deixe de usar uma malha de aço além da ferragem perpendicular às treliças. Isso lhe garantirá maior rigidez à estrutura evitando desagradáveis trincas.

Existem ainda as H16, H22, metálicas, antigas lajes maciças, pré-moldadas, etc. Acho que na maioria esmagadora das casas comuns as escolhas recaem entre H8 e H12 mesmo.

No enchimento da viga vale lembrar das tubulações, conduítes, etc, apesar de na maioria dos casos os pedreiros são do tipo "eu quebro depois".
Em alvenaria estrutural isso é inconcebível!

Detalhe de uma viga semi-embutida em laje H8. 
Essa viga foi necessária devido ao vão livre da sala de estar/jantar e para não aparecer tanto ela foi embutida, ou seja, concretada junto - dentro - da laje.

Como as caixas elétricas de teto (existem caixas padrão para serem colocadas entre as treliças) são uma espécie de passagem geral, observe se elas se conectam entre si e com as caixas de parede dos circuitos a que elas se destinam.

Quanto mais conexões melhor, mesmo que seja redundante.
Às vezes uma (ligação ou conduíte) fica com muitos cabos ou até mesmo fica interrompida e se tiver poucas interligações de conduítes você pode ter problemas.



Antes de concretar acho altamente aconselhável checar a passagem de fios com um passa fio, e em casos de conduítes que se destinam a cabos mais grossos (chuveiros, aquecedores, torneiras elétricas, etc) já deixe um cabo de passagem dentro dele (cabos são caros, mas eles podem ser reaproveitados depois). 

Meu post anterior tem muita informação sobre instalação elétrica.

No caso de sobrados fique atento às caixas de esgoto. Decida antes se vai usar forro de gesso para esconder a tubulação ou vai embutir na alvenaria (laje).


A laje é escorada por vários pontaletes ou calços de aço.
No primeiro caso você compra e quase que invariavelmente vai virar lixo, mas sabendo aproveitar, dá pra fazer muita coisa com eles apesar da alardeada fragilidade do eucalipto.

No segundo caso as escoras são alugadas.
Tudo é uma questão de avaliar o preço e o que se consegue negociar.

Laje cheia e mangueira para eu "regá-la".

A laje pode ser enchida com concreto virado na obra ou usinado.
O concreto usinado é de melhor qualidade e praticamente sai o mesmo preço do virado na obra (contando material, mão-de-obra e desperdícios), em torno de R$ 250,00/m³.
Em geral, acima de 80 ou 90 m² de laje nem pense em usar virado na obra.

Depois de cheia a laje dever ter uma cura úmida de no mínimo 15 dias para se iniciar algo na parte superior, telhado ou segundo pavimento.
Enfatizo: cura úmida!

Lembrando que, como todas as misturas com cimento, o concreto não seca e sim cura.
Para que o concreto atinja resistência máxima e não sofra retração é necessário que ele esteja permanentemente úmido enquanto cura.
Para isso pode-se usar uma manta bidim constantemente molhada ou mesmo sacos de cimento vazios empapuçados.
Ou ainda, como eu fiz, ir ao menos 3 dias duas vezes por dia "regar" a bichinha.
A cura úmida evita trincas e rachaduras e fará com que a laje tenha a resistência desejada.

Passados duas semanas começamos o segundo piso.


Nada muito diferente dos cuidados do primeiro piso.

A pedidos, umas fotos "adiantadas":

Frente parcial 1: ainda com a sacada da suíte (que na verdade é uma sala de banho, pois tem a hidro dupla interligada com o banheiro da suíte) sem vidro. 

 Frente parcial 2: tudo reto e sem firulas.


Parte de trás: as cores esdrúxulas foram escolha da patroa, se bem que pra mim pintado de qualquer coisa tá bom, desde que cores que existam em catálogo pra não complicar nem encarecer. Os "lindos" canos de saída da água foi obra minha (hehe): queria fazer uma sisterna para aproveitar a água e ainda não tinha decidido onde colocá-la, por isso pedi pra deixar aparente mesmo.


Se olharem a planta irão perceber que aqui em casa ninguém se interessa por status, seja, o que irão olhar de fora, mas priorizamos espaços abertos, iluminação e ventilação, enfim, cada um com seus problemas.




sábado, 21 de junho de 2014

Construindo a minha casa - Subindo a bagaça / Parte 1 de 2

Subindo as paredes. E pelas paredes.
Essa etapa é a mais sem graça, porém a mais rápida.

Na alvenaria convencional sobe-se as pardes com elementos de vedação (tijolos, blocos cerâmicos ou de cimento), ou seja, peças sem função estrutural cuja única função é fechar os vãos entre colunas e vigas.
Na alvenaria estrutural os blocos (por isso chamados de estruturais), sejam eles cerâmicos ou de concreto, tem função de sustentar a construção, distribuindo as cargas mais uniformemente pelo baldrame, por isso tem paredes internas mais grossas, não tem fundo e seguem normas mais rígidas.
Como eu disse nos primeiros posts, optaria por essa opção em outras condições.

Foi com esse sistema de vedação que confirmei a tolice de colocar grandes nas janelas. Com umas paredes tão mequetrefes, sinceramente é mais fácil derrubá-las do que se preocupar com arrombar portas ou cortar grades.
Devemos lembrar que o "profissional do roubo/furto" é um empreendedor também, apesar de ilícito, e todas as questões relativas a lucratividade, custo/benefício, tempo, etc. são aplicadas, mesmo que de modo trôpego.

Aliás, aqui na minha região é comum fazerem um buraco na parede para invadir uma casa.

Enfim, essa preocupação e as discussões do conforto psicológico de se colocar grades, câmeras, alarmes, cercas elétricas, etc, é outra.

A discussão sobre optar por blocos cerâmicos ou de concreto é meio infrutífera. Na prática a diferença será miníma. Os tijolos cerâmicos dão mais isolamento térmico,são mais leves (facilidade no manuseio) e menores (armazenamento e versatilidade no tamanho das paredes) e absorvem menos água, por outro lado, tem isolação acústica menor, maior probabilidade de quebras e maior gasto com revestimento
.
Optei pelo "baianão" (bloco cerâmico) pela possibilidade de encontrar blocos com reforço mais dentro das normas, pois a maioria dos blocos de concreto vendidos são uma lástima, fabricados quase sempre de forma artesanal e fora das normas técnicas.



As 4 ou 5 primeiras fiadas acima do baldrame são assentadas com argamassa de assentamento impermeabilizada, para minimizar as chances de umidade nas partes inferiores das paredes.

As construtoras mais profissionais fazem as colunas e vigas antes de fechar as paredes, garantindo maior resistência da estrutura e possibilidade de se começar a cobertura antes da vedação, otimizando tempo, pois em caso de mal tempo pode-se continuar a obra sem problemas.


Tendo o baldrame seguido a planta baixa e o mestre dispondo da mesma, começamos a subir as paredes.

No modelo "convencional", as paredes são levantadas até mais ou menos a contraverga e daí confecciona-se a caixaria para concretagem.
Concreta-se a coluna até essa altura e depois continua-se a vedação até a altura da cinta ou viga.
Na verdade essa é uma prática errada pois como eu disse anteriormente, as colunas devem ser feitas em uma única etapa para ter a resistência teórica esperada, mas como esse modelo "convencional" é super dimensionado acabamos por aceitar essa gambiarra (encher as colunas em duas partes) como padrão.




Na alvenaria estrutural tudo deve seguir o projeto etapa por etapa pois as tubulações hidráulicas e elétricas são embutidas nos blocos sem cortes, por isso esse modelo diminui o entulho e o desperdício.

Na alvenaria convencional o pessoal levanta tudo e corta depois o espaço para os tubos e conduítes, mas mesmo assim é conveniente observar que através de vigas e colunas deve-se prever suas passagens caso necessário, para evitar perda de tempo posterior e até mesmo redução na resistência das mesmas.

A alvenaria estrutural deixa as paredes tão bem acabadas, que muitas casas modernas nem sequer revestem as paredes, deixando os blocos à vista e no caso de se optar por revesti-las gasta-se bem menos material e tempo.
De qualquer modo, na alvenaria convencional, é conveniente que as paredes  de vedação sejam feitas da melhor maneira possível quanto  alinhamento, esquadro e prumo, para que se gaste menos material e tempo na etapa reboque.

É sempre bom estar com o projeto hidráulico e elétrico em mãos (mesmo que seja o seu próprio esboço) para garantir que o planejamento seja mantido e com isso redução de perdas de tempo e material.
Em se tratando de alvenaria estrutural é indispensável.

Até se chegar nas vigas não há muito o que se observar fora o básico: observar esquadro, prumo, alinhamento, armazenamento de materiais, medidas dos vãos e evitar os desperdícios (principalmente de argamassa que é feita demais e "guardada com mais água para usar no outro dia" - o produto resultante já não tem mais a mesma resistência).