DIY é mais do que estimular o cérebro, é também uma forma de ser contra o sistema corporativo/industrial e também monetarista.
Podemos trocar experiências, conhecimentos e até mesmo o produto final.

Na construção a coisa é sem mimimi e momomo, o papo é rústico e reto! :oD

Sai da cidade grande em nome de um dia a dia mais salubre e para construir minha casa com uma boa oficina, e nela poder fazer minhas estrapizongas mais livremente, o resto é história...
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segunda-feira, 2 de junho de 2014

Construindo minha casa - Fundação / Parte 2 de 2

No post anterior sobre fundação, as sapatas e os pescoços foram concretados e aterrados, agora inicia-se o baldrame e o re-aterro.
Costuma-se chamar de 'reaterro', pois ao desenformar o baldrame, aterra-se seu interior para se iniciar a concretagem do contrapiso. Em fundações que dispensam sapatas obviamente ela (a fundação) se inicia diretamente pelo baldrame e apenas seu aterro interno é necessário.

Antes, quero dar mais um "tapa" nos materiais derivados do cimento.
Como eu disse no primeiro post sobre fundação, o concreto assim como a argamassa (tanto de assetamento quanto de revestimento) são produtos derivados do cimento, ou seja, ao ser feito a sua mistura, um processo químico é iniciado que leva a cura do material.
Então é fundamental que se entenda que o cimento não "seca" e sim cura.

Esses produtos fluidos tem um processo de cura que depende do tipo de cimento (AC3, AC5, etc) e não pode ser interrompido nem adiado (a não ser por meio de aditivos químicos adicionados a mistura no momento em que ela é feita), é por isso que essa conversa de "no outro dia eu ponho mais água dou uma misturada e uso" é balela.

Esse 'remistura' é como esfarelar um pão francês, misturar água e achar que quando ele secar será o mesmo.
No caso dos derivados de cimento isso gera perda de resistência e desperdício de material.
Mas o interessante é que, quanto mais o cimento demorar a perder água, mais resistente será seu subproduto, por isso que é importante manter lajes, contrapisos e se possível colunas e vigas constantemente úmidas até sua cura total.

O sal é outro inimigo do cimento, mas na prática, ninguém manda fazer um ensaio laboratorial sobre a composição da areia.
No fim, apesar de tentarmos controlar a qualidade, é o superdimensionamento que acaba deixando nossas casas em pé por décadas. Por outro lado, o nosso próprio para sempre é bastante curto...

Sobre o aterro das sapatas/pescoços monta-se o madeiramento dos baldrames.
As ferragens são colocadas em seu interior e amarradas.

Nesta etapa é conveniente que se passem os canos de esgoto para evitar que se tenha que quebrar algo ou cavar depois, o que é bastante estúpido mas corriqueiro entre os pedreiros.

Baldrame concretado.
Lembre-se que nenhum ferro pode estar exposto!

Nas ferragens dos baldrames é conveniente deixar uns "pilotos" para fora de modo a poder se fazer a amarração do seu calçamento ao redor da casa.
O concreto não "gruda" corretamente depois de sua cura e fatalmente o calçamento vai começar a se descolar da casa causando trincas.
O mesmo vale se você vai construir uma casa pequena com previsões de ampliação. Planeje as ampliações antes para que você possa deixar as amarrações disponíveis e também para que não fique parecendo o famoso 'puxadinho'.

Para que se faça emendas em concreto, alguns procedimentos devem ser feitos como ancoragens, raspagens da nata antiga, adesivagem estrutural, e outros.

Baldrames desenformados com o pescoço saindo para a amarração das colunas.

O desperdício com madeiramento é enorme em construções de alvenaria convencional, mas se você tratar bem essas madeiras, apesar de frágeis elas podem ser úteis para uma variedade de coisas posteriormente. Um pequeno tratamento inicial e um desenformante podem ser pequenos gastos adicionais que geram grandes economias futuras.
Prateleiras, forros, casinhas pros bichos e até mesmo pequenos móveis rústicos podem ser feitos com elas!

Baldrame capeado - revestido com no mínimo duas demãos de Neutrol ou semelhante.

Reaterro realizado, camada de brita colocada, malha pop instalada e iniciado o contrapiso.

Após o enchimento do interior do baldrame, alguns utilizam lona plástica entre o aterro e o contrapiso para melhorar a impermeabilização.
O problema é que em geral se usam lonas de péssima qualidade (dessas comuns em lojas de material de construção conhecidas como "lona preta") e aí nada é a mesma coisa, pois esse filme plástico se esfarela em pouco tempo.

Ou usa-se uma lona de alta qualidade (EPDM) ou opta-se por cimentos impermeáveis (esse do tipo Vedajá ou equivalente) em no mínimo duas demãos cruzadas entre o contra-piso e a argamassa regularizadora (que vai logo abaixo do piso).

Não deixe de usar uma malha pop (uma malha de aço dentro do concreto) nos pisos (principalmente na garagem). Isso vai te evitar uma série de dores de cabeça futuras.

A fase da fundação é aparentemente lenta porque se vê pouco resultado, mas é de suma importância.
Nessa fase se gasta uma boa quantidade de grana, praticamente metade de toda a parte básica (construção crua inclusive sem reboque).

Se pescoços ou outras ferragens piloto forem deixadas expostas por muito tempo, proteja-as das intempéries.

No caso do sistema de sapata/baldrame, sendo observado os tempos de cura mínimo e dentro de tamanhos comuns (até uns 300m²), algo em torno de 1 mês (tempo relativo a uma quantidade proporcional de homens/área evidentemente) se perde nesta etapa.





quarta-feira, 21 de maio de 2014

Construindo minha casa - Fundação / Parte 1 de 2

No último post dei 'um tapa' em relação à mão-de-obra e a demarcação do terreno.
Se o terreno for isolado de outras construções é provável que se precise requisitar um técnico da prefeitura ou mais provavelmente de um topógrafo.

Com o tradicional barracão feito para guardar os materiais secos (cuidado com o cimento!), ter espaço para o pessoal trocar de roupa e uma área separada para suas "necessidades", é mãos à obra.
Lembre-se que vc pode prever aproveitar as telhas, madeiramento e até mesmo o vaso sanitário do barracão. Planejamento é tudo.

No post anterior você viu as tabeiras e marcações, após elas estarem conferidas iniciasse as escavações para a concretagem das sapatas.
Tanto para a alvenaria tradicional quanto para a estrutural a fundação com baldrame ou sapata/baldrame costuma ser a mesma e os tipos de fundações mais comuns. Apenas para o steel framing ou wood framing que se costuma adotar por padrão o radier.

A coisa mais importante nessa fase além da certeza do tipo de fundação necessária (baldrame, sapata/baldrame, estaca ou radier) é a garantia da impermeabilidade da construção.
Independente do uso de concreto usinado ou virado na obra, use um aditivo do tipo Vedacit conforme as especificações do fabricante.

Sapata simples (não é a tipo gaiola).

A quantidade de sapatas para uma obra 'comum' de no máximo dois pavimentos, em geral, é feita pela prática. O próprio arquiteto costuma fazer isso. Nos cantos e a cada 3 metros mais ou menos ou abaixo das colunas.
Com a quantidade de sapatas, dimensões de pescoço e baldrame, pode-se prever com boa exatidão a quantidade de ferros e concreto utilizado (aritimética básica) e com isso todo o material dessa fase.

Sapata concretada no buraco e pescoço sendo preparado para concretagem.

 A medida que o pescoço é preenchido de concreto, aterra-se a sua volta e puxa-se a lata sem fundo para cima.
Essa técnica é bastante prática e funciona bem.

Não se assuste com a água que eventualmente possa aparecer no buraco. O excesso é retirado na mão ou com bomba, além do mais, o concreto (a mistura de cimento, areia, brita e água) é um fluido pesado que ao ser depositado na vala naturalmente retira a água do local (ele desce e a água sobe).

A ferragem deve ficar sempre totalmente embutida no concreto para não oxidar, e costuma-se usar espaçadores plásticos para isso ou simplesmente puxa-se um pouco a malha metálica quando uma parte do concreto for depositada.

Esta é minha obra! Não é um campo após um bombardeio aéreo.
 
Depois de todas as sapatas e seus respectivos pescoços estarem concretados, aterra-se até o nível do baldrame (dependendo da cidade, exige-se uma altura mínima em relação a rua).

Aterro até a altura do baldrame.

NUNCA USE RESTOS DE CONSTRUÇÃO COMO ATERRO!!!

Um caminhão truck (14m³) deve custar em torno de R$ 350,00 e é um gasto essencial para que sua casa não apresente rachaduras ou até mesmo afundamentos.

O concreto virado na obra tem um custo praticamente igual ao usinado (em torno de R$ 250,00/m³), mas o desperdício é maior e a qualidade pode ser inferior.
Se for virar na obra fique de olho nas misturas principalmente quanto ao uso de aditivos. Nada de quantidades "de olho" ou adicionar de qualquer maneira.
Se não conhecer estude e não fique constrangido com os discursos de "eu tenho trocentos anos de experiência", tem gente que faz 20 anos a mesma merda (ops!).

Se pretender ter um jardim ou coisa parecida exija o uso de uma masseira (um local montado com madeirites e tábuas) para virar o concreto e reduzir o desperdício e no futuro não ter um trabalho desgraçado para limpar o terreno na hora de plantar algo.

Uma betoneira grande (400 litros ou mais) pode ser uma boa.


No próximo post o baldrame e o re-aterro.